sexta-feira, 3 de abril de 2020

DISCOS DA DÉCADA 10: A





Vamos testar uma nova sessão nesta quarentena, que não tem muito como ser "rápida", mas pretende dar destaque a ótimos artistas que podem ter passado em branco na década passada. Sim, temos nossas abrangentes listas anuais, temos nossos especiais que tentamos manter atualizados, já fizemos especiais específicos com os gigantes da década (partes I, II, III e IV)... mas sempre passa uma galera boa sem aquela menção expressa.


Seguimos também tentando nos atualizar com os especiais do ano de 2020 (já temos dois, aqui e aqui), além das colunas sobre décadas passadas (cobrimos os anos 60, até 1970, neste link), dentre outros quadros que alimentamos ocasionalmente.


Lembramos que não vamos reiterar aqueles que já tiveram grande destaque nestas páginas. Com a letra "A", por exemplo, já exaltamos nomes como A Perfect Circle, Amon Tobin, Alcest, Aphex Twin, Alice In ChainsActress ou o estrelado projeto Anguish de Mats Gustafsson.



Tentem pescar algo do gosto de vocês, temos certeza que vão descobrir algo legal.


Por ora, apenas a letra A:



A.C.T

Grupo de prog metal sueco surgido no fim dos anos 90, havia se consolidado por meio de quatro álbuns muito competentes, mostrando aquela faceta mais lúdica e teatral do estilo, com muita originalidade. Quase dez anos de silêncio foram rompidos pelo bom álbum "Circus Pandemonium" (2014) e o EP "Rebirth" (2019).



A TRIBE CALLED QUEST

Este blog destacou devidamente o que foi não apenas um dos melhores discos de 2016, mas um dos maiores lançamentos de hip hop da década: "We Got It From Here… Thank You 4 Your Service".

Recheado de participações brilhantes e digno da despedida deste icônico grupo. Aproveitamos a passagem para reverenciar novamente a obra, lançada quase vinte anos após o último álbum de estúdio e sendo, infelizmente, o último de Phife Dawg, falecido no mesmo ano de 2016.



ADT

Time americano que conta com Jake Acosta (guitarras), Adam Tramposh (Polymer Slug, teclados), Kyle Drouin (efeitos), Ben Billington (bateria), Carlos Chavarria (sax), apresentou em 2018 o excelente debut "Insecurities" - rock e jazz instrumental e inovador.



AFGHAN WHIGS

Outro que já destacamos mas deu vontade de relembrar. Grupo noventista que também passou quase vinte anos sem um novo lançamento, mas ressurgiu forte com um disco fenomenal, "Do To The Beast", de 2014. Inquietos, mudaram um tanto o direcionamento no também muito bom "In Spades", de 2017.





AFI

Com o que seria algo entre o punk e um rock alternativo, de personalidade e alguma sofisticação, o competente AFI também surgiram nos anos 90 e vieram regulares em lançamentos por este século, até o que consideramos seu ápice no ótimo "AFI", também conhecido por "The Blood Album", de 2017.



AGALLOCH

Com dois álbuns muito fortes na década, que já comentamos por aqui, o grupo de John Haughm anunciou seu fim após o épico "The Serpent And The Sphere", de 2014. Haughm ainda seguiu com discos solo, bem experimentais e etéreos, assim como no ótimo projeto Pillorian, mas nada se aproxima da forte marca cravada pelo nome Agalloch - em especial no lindo disco supracitado.






AI WEIWEI

Sim, é surreal, mas estamos falando aqui do extraordinário artista chinês. Perseguido e preso em seu país, roda o mundo denunciando regimes que atentam contra os direitos humanos. Em 2013, ao ser libertado da prisão, poucos podiam pensar que ele ia se aventurar ao lado do músico local Zuoxiao Zuzhou em um projeto de heavy metal (?): "The Divine Comedy". Neste álbum, se destaca a faixa "Dumbass", que ganhou um clipe perturbador!





ALAIN JOHANNES

O criativo produtor, associado a algumas trilhas alternativas e a artistas de renome como Queens Of The Stone Age, PJ Harvey e Mark Lanegan, lançou o que seria um disco propriamente solo: "Sparks", de 2011. Também lançou, sob o formato Alain Johannes Trio, algumas canções ao lado de Mike Patton. Vale conferir!



ALAN VEGA

Falecido em 2016 (vimos aqui e aqui), o ex-Suicide tem uma carreira solo interessante, e seu disco póstumo "IT", lançado em 2017, não ficou atrás em termos da ousadia, peso e desespero que sua arte sempre transpareceu. Obrigatório!





ALEXANDER NOICE

Guitarrista e compositor americano de estilo muito próprio. Em "NOICE", de 2019, um jogo de vozes e instrumental hipnótico, numa espécie de opera espacial, joga com minimalismo e grandiloquência. Nunca se ouviu nada igual, impossível descrever: confira!




ALDOUS HARDING

Da Nova Zelândia, e sob a produção de John Parish, a artista Hannah Sian Topp fez seu nome em três lançamentos que só mostram a evolução de seu talento. "Designer", de 2019, possivelmente o mais instigantes deles até o momento.



ALEX SKOLNICK

O exímio guitarrista de heavy metal, atualmente no Testament e com passagens por Savatage e Trans-Siberian Orchestra, sempre teve a mente aberta e manteve uma instigante carreira paralela com o Alex Skolnick Trio. Nesta década, lançou "Planetary Coalition", no formato solo, e "Conundrum", no formato trio. Vale conferir, e sempre fica o desejo para que retomasse também o excelente projeto Attention Deficit.



THE ALGORITHM

Interessante e pouco falado projeto de um guitarrista francês, Rémi Gallego (que também atende por Boucle Infinie), e que lançou quatro discos nesta década. "Compiler Optimization Techniques", de 2018, chama a atenção por ser uma espécie de disco que mostra toda sua inspiração e desenvolvimento para chegar ao produto dos álbuns anteriores. Instigante.





ALL PIGS MUST DIE

Espécie de supergrupo que conta com Ben Koller (Converge, Mutoid Man), você já imagina tanto o estilo quanto a qualidade da porradaria. Três discos, dois EPs, sendo "Nothing Violates This Nature" (2013) nosso destaque.



ALTAR OF PLAGUES

O irlandês James Kelly atacou no início da década com dois marcantes projetos: WIFE, um pseudômico com interessante pegada eletrônica; e o ALTAR OF PLAGUES, voltado a uma música extrema criativa e impactante. "Teethed Glory And Injury", de 2013, foi o último e mais intenso trabalho do grupo, merecendo todo destaque!



ALVA NOTO

Na seara da música eletrônica minimalista, o artista Carsten Nicolai já tem seu nome consolidado, seguindo ultraprodutivo com diversas parcerias. Não perdemos a oportunidade de destacar "UNIEQAV", disco de 2018, além de colaborações com nomes como Ryuichi Sakamoto, Ryoji Ikeda e o duo Tarwater.



AMENRA

Um dos grandes destaques da música extrema contemporânea, a banda belga lança regularmente suas "missas", sendo que o último capítulo, "Mass VI", de 2017, foi o mais intenso e caótico até o momento. Obrigatório!






AMBROSE AKINMUSIRE

Trompetista que já esteve ao lado de grandes nomes contemporâneos como Vijay Iyer, Esperanza Spalding, Mary Halvorson e Brad Mehldau, também já consolida uma bela carreira solo, onde destacamos o diversificado "Origami Harvest", lançado pelo selo Blue Note e flertando em definitivo com o hip hop. Ousado!



AMPLIFIER

Banda inglesa pouco falada no meio, poderíamos genericamente colocá-los na seara do psychedelic rock, mas são mais criativos que isso. "Trippin' With Dr. Faustus", de 2017, é um baita disco, original e empolgante, superando rótulos!



ANAAL NATHRAKH

Outro grupo extremo que não observa limites. O caos e desespero mistura estilos e nesta década acabaram por consolidar ainda mais a carreira e discografia da dupla Dave Hunt (Benediction, Mistress) e Mick Kenney (Aesthetic Perfection).



ANATHEMA

Os ícones ingleses foram mudando seu direcionamento, atingindo um nível incrível nas composições de "Distant Satellites" (2014) e "The Optimist" (2017). Múltiplas influências, modernidade, sem deixar de lado a sensibilidade e essência de sempre.

Destacamos também que o Antimatter, grupo do ex-Anathema Duncan Patterson, seguiu sem o próprio Duncan, mas lançando belos álbum com Mick Moss à frente, como "Fear Of A Unique Identity" (2012), "The Judas Table" (2015) e "Black Market Enlightenment" (2018).





AND SO I WATCH YOU FROM AFAR

Ativos desde 2005, outro grupo original e que foge a rótulos são os irlandeses do ASIWYFA, que trazem um instrumental absolutamente dinâmico e cativante, com quatro lançamentos indispensáveis na década.



ANDERSON PAAK

O percussionista e multi-instrumentista tem uma energia incrível, especialmente ao vivo, trazendo seu hip hop e pegada soul muito originais. Lançou seis discos na década, um em parceria com o também produtor Knxwledge, sob a alcunha NxWorries, além de outro com seu grupo, The Free Nationals. Destaque especial para os discos solo "Oxnard" (2018) e "Ventura" (2019) - recheados de participações.



ANDRE MATOS

O último suspiro solo do maestro do heavy metal brasileiro, Andre Matos, se deu em 2013 - e ninguém jamais poderia esperar que tivesse sido o último. Após o criativo e impactante "Mentalize" de 2009, Andre foi contido em inovações e o disco foi pouco apreciado, embora traga composições densas, com letras igualmente intensas. Edições importadas trouxeram versões inusitadas de Queensrÿche, Radiohead, e dos próprios Angra e Viper.




ANDREW BERNSTEIN

Saxofonista e multi-instrumentista, dedicado a um minimalismo criativo e dinâmico, foi uma revelação nesta década, tanto ao lado de seu grupo Horse Lords, quanto por uma produtiva carreira solo, onde se destaca o belo/perturbador "An Exploded View Of Time", de 2018.



ANDY STOTT

O já estabelecido artista inglês lança mão de um eletrônico experimental, no qual destacamos o EP "Passed Me By" de 2011 e o ótimo álbum "Luxury Problems" de 2012.



ANGEL OLSEN

Já tratamos da guria por aqui, e entre EP's e um álbum colaborativo ao lado de Tim Kinsella (Cap'n Jazz), em 2013, quatro discos solo abrilhantaram sua década, com destaque a "My Woman" (2016) e "All Mirrors" (2019).



ANGÉLIQUE KIDJO

A veterana cantora africana foi produtiva na década, mas a surpresa veio com "Remain In Light", de 2018, nada menos que uma releitura da obra-prima dos Talking Heads.



ANIMAL COLLECTIVE

O conhecido grupo americano não se enquadra exatamente/exclusivamente no indie, nem no eletrônico, sendo mais uma banda aversa a rótulos, além de alterar seus rumos constantemente a cada álbum EP, além dos projetos e participações de seus membros. Avey Tare (David Portner), o produtivo Panda Bear (Noah Lennox), Deakin (Josh Dibb) e Geologist (Brian Weitz) acertaram a mão mais uma vez, com destaque ao excelente "Centipede Hz" de 2012.





ANIMALS AS LEADERS

Capitaneados pelo exímio guitarrista Tosin Abasi, eis um dos maiores nomes do metal progressivo moderno, sendo inclusive associados ao que seria o movimento djent. Insanos, cada álbum vale uma apreciação especial: "Weightless" (2011), "The Joy Of Motion" (2014) e "The Madness Of Many" (2016).




ANNA CALVI

Vocalista e guitarrista, uma das favoritas do blog, foi um dos grandes nomes da década. Sem palavras para descrever o poder de "One Breath", de 2013! Maravilhosa!



ANNA VON HAUSSWOLFF

A artista sueca debutou no início da década, e entre quatro álbuns de estúdio e alguns EPs se destacou o intenso e soturno "Dead Magic", de 2018. Altamente recomendável!



ANNEKE VAN GIERSBERGEN

A inquieta e magnífica cantora holandesa, ex-The Gathering, se destacou por projetos como o grupo VUUR e a empreitada The Gentle Storm, de Arjen Lucassen (Ayreon, Star One). Constantes parcerias com o genial Devin Townsend também a deixaram em evidência. Recomendamos, porém, sua sempre agradável carreira solo pós-Agua de Annique: "Everything Is Changing" (2012) e "Drive" (2013).



ANTIBALAS

Coletivo do afrobeat que surgiu com a Ninja Tune e vinha fazendo seus lançamentos pela Daptone Records - inclusive o atual "Fu Chronicles", de 2020. Na década que se encerrou, destacamos em especial o ótimo EP "Where The Gods Are In Peace", de 2017.





ANYWHERE

Se você queria algo mais de Omar Rodríguez-López e Cedric Bixler-Zavala para além de "Noctourniquet", álbum do The Mars Volta de 2012, eis que o projeto "Antemasque" (2014), ao lado de Flea (RHCP), certamente o agradou.

Mas este blog tem a obrigação de destacar o estupendo projeto de Cedric chamado "Anywhere" (2012) - espécie de supergrupo ao lado de Mike Watt, Krist Novoselic (Nirvana), Dale Crover (Melvins) e Jonathan Hischke. Um segundo álbum do Anywhere ainda veio em 2018. Indispensável!






APPARAT & MODESELEKTOR

Voltamos ao eletrônico para falar do artista alemão Sascha Ring, já consolidado na cena sob o nome Apparat e que, sob o nome Moderat, também lançou importantes colaborações ao lado do duo Modeselektor. A obra mais recente foi "LP5", de 2019.



ÅRABROT

Interessantíssima banda de metal (?) norueguesa, com quase vinte anos de existência, trazendo ambientações pouco usuais para o estilo. "Arabrot" (2013), "The Gospel" (2016) e "Who Do You Love" (2018) se destacaram nesta década. Belíssimo!



ARCHITECTS

Mais um representante de um metalcore vigoroso e por vezes complexo, com fortes lançamentos como "All Our Gods Have Abandoned Us" (2016) e "Holy Hell" (2018).



ARIANA GRANDE

A cantora evoluiu e explodiu com "Thank U, Next" de 2019, que merecidamente foi um dos principais lançamentos do ano passado. Não dá para ignorar!





ARIEL PINK

O já consagrado artista segue seus experimentalismos a serviço de um pop rock despojado e diferente. Destacamos o ótimo "Pom Pom" (2014), escrito ao lado do já falecido produtor Kim Fowley.



THE ARISTOCRATS

Supergrupo prog do ótimo guitarrista Guthrie Govan, de grande destaque nesta década também pelo seu trabalho nos discos solo de Steven Wilson, contando ainda com o baixista Bryan Beller e o exímio baterista Marco Minnemann - que tem uma produtiva, diversificada e pouco falada carreira solo ele mesmo. Não deixem passar, nem os quatro trabalhos do Aristocrats na década e nem os trampos solo do Minnemann.



THE ARMED

Banda absurda, própria daquele metalcore/mathcore caótico, na trilha de DEP e Converge (e aqui, novamente, temos Ben Koller na batera), mas com muita personalidade. "Only Love" de 2018 é discaço!






ARTO LINDSAY

Destacamos como um dos discos do ano de 2017, mas fazemos novamente. Estávamos órfãos de discos solo do mestre Arto Lindsay, e eis que ele nos brindou com "Cuidado Madame", com toda sua essência e sofisticação. Mas também não ignoraremos o excelente "Scarcity", de 2014, ao lado do exímio baterista Paal Nilssen-Love. Imperdível!



ASH KOOSHA

O artista iraniano Ashkan Kooshanejad se consolidou nesta década com uma bateria de álbuns e EPs que trazem um eletrônico/IDM experimental e muito cativante. Seu debut em 2015, "GUUD", chamou a atenção, tendo lançado os discos posteriores pela Ninja Tunes. Destaque também para "I AKA I" (2016) e "AKTUAL" (2018).



AT THE DRIVE IN

Já falamos acima de Cedric Bixler-Zavala e Omar Rodríguez-López, mas o disco "In•ter a•li•a", de 2017, merece um destaque especial. O grupo noventista tinha escrito seu último e mais forte capítulo no já clássico "Relationship Of Command" (2000), e o retorno quase vinte anos depois foi em grande estilo. Discão!



ATOMIC APE

Sempre atentos à gravadora Web Of Mimicry, em 2014 tivemos o lançamento do excelente "Swarm" do Atomic Ape - espécie de continuação do que foi o Orange Tulip Conspiracy (projeto de 2008).

Aqui, temos nomes indispensáveis como o líder Jason Schimmel (Estradasphere, Secret Chiefs 3, Traditionalists), além de Trey Spraunce, Steve Moore, Eyvind Kang, Ryan e Trevor Parrish, e grande seleção! Épico!






AUGUST GREENE

Já destacamos bastante no blog o que foi a década absolutamente vitoriosa de Robert Glasper, um dos ases de um jazz moderno e inovador. Pois o pianista teve tempo de se juntar ao baterista e também produtor Karriem Riggins, além do rapper Common, neste maravilhoso projeto August Greene, de 2018. Supergrupo que pode ter passado batido, mas cuja retomada é obrigatória para você que perdeu!



AURORA

Não destacamos devidamente essa cantora norueguesa, que lançou três bons discos na parte final da década: "All My Demons Greeting Me As A Friend" (2016), "Infections Of A Different Kind, Step 1" (2018) e "A Different Kind Of Human, Step 2" (2019) - na esteira de mulheres competentes do que seria este movimento art/avant pop, à la Sophie, Arca, Grimes etc.



AUTECHRE

Ícones da música eletrônica, não podem ser esquecidos. Destaque para "Exai" (2013) e "Elseq 1–5" (2016).



AYREON

Não podemos esquecer do principal projeto de um dos grandes mestres do heavy metal moderno, o holandês Arjen Anthony Lucassen, que na década passada lançou obras importantíssimas do porte de "The Human Equation" (2004) e "01011001" (2008) por meio do sempre multi-estrelado AYREON.

Pois repetiu a dose com "The Theory Of Everything" (2013) e "The Source" (2017), com tempo, ainda, para emplacar disco solo, o projeto The Gentle Storm (ao lado da já mencionada Anneke Van Giersbergen) e mais um excelente capítulo do Star One ("Victims Of The Modern Age" de 2010).




Seguimos...



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