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domingo, 9 de junho de 2019

FROM THE HEART: Andre Matos - "Mentalize" (2009)




"For a man who looks out just dreams
But he who looks in awakens!"


Andre Matos - "Mentalize" (2009)


Nossa homenagem a uma das referências musicais deste blog, falecido em 08/06/2019. Veja o que já falamos aqui do disco "Holy Land" e, ainda, o especial em três partes sobre o mestre (aqui, aqui e aqui).


domingo, 5 de janeiro de 2014

FROM THE HEART:
Angra - "Holy Land" (1996)




Conforme já dissemos quando tratamos da carreira de Andre Matos, a obra "Holy Land" de 1996 é provavelmente o que houve de mais belo, delicado e criativo em termos de junção entre a música brasileira e o Heavy Metal de um modo geral.


Território este que foi pouco explorado. Sim, todos se lembrarão do SEPULTURA, que fez algo semelhante em toda sua carreira, com ápice no clássico "Roots" (também de 1996) - embora, obviamente, de modo muito mais agressivo, se valendo de todo o groove brasileiro. Mas se pensarmos que em terras tão vastas, tão poucas bandas/obras se destacaram nessa seara, é um tanto decepcionante.


Fato é, no entanto, que quem se destacou, se destacou com louvor, emplacando o SEPULTURA na vanguarda do heavy/thrash, de reconhecimento mundial; e o próprio ANGRA na vanguarda do power/prog.



Outras bandas vieram a tentar tal fórmula, mas a verdade é que ao se explorar as raízes étnicas e sonoras de um país ou região, ainda mais se for a da região em que se vive, deve-se fazer com perspicácia, inteligência, sofisticação. Caso contrário, teremos uma junção forçada, artificial, o que definitivamente NÃO se quer. Não é o caso, obviamente, da suavidade e diversificação do disco aqui tratado...



"Holy Land" segue o flerte constante com a música clássica, marca da banda desde o debut "Angel's Cry" de 1993. Porém, desde a levada alucinante de "Nothing To Say", o tributo ao berimbau em "Holy Land", a percussão apoteótica de "Carolina IV" ou a selvagem "The Shaman", notamos aos poucos as inserções próprias daquela terra a ser descoberta, ao longo de toda uma obra conceitual e muito dinâmica.



O auge do tributo chega na épica e já referida "Carolina IV", que ainda inclui, ao longo de seus mais de dez minutos, uma passagem de "Bebê", antológica composição do mestre Hermeto Pascoal - referência absoluta deste blog, e da música brasileira e internacional, quando o assunto é INOVAÇÃO! Nada poderia ser mais propício.



O Brasil deveria fazer mais justiça ao prodígio Andre Matos e a um disco tão perfeito. Talvez, se não fosse cantado em inglês (e não se sugere que tivessem tomado outro caminho, a obra já é perfeita como é!), constasse mais das listas de maiores discos brasileiros de todos os tempos. Uma pena.


Fica nosso registro:



Angra - "Holy Land" (1996)





domingo, 14 de abril de 2013

KAMELOT






Eis uma das grandes bandas que começaram a executar Heavy Metal de um modo único e muito criativo, especialmente do ano 2000 em diante.



Não podemos dizer que é exatamente "injustiçada", pois até alcançou os holofotes com alguns de seus discos. Infelizmente, a atenção ficou restrita ao âmbito metálico. E, ainda assim, houve quem a classificasse de modo errôneo, contribuindo para a (ainda) má vontade de muitos em relação à sua sofisticada sonoridade.


Para esclarecer melhor este último ponto, faz-se necessário recorrer às origens da banda, abarcando o período que vai do debut "Eternity"(1995) a "The Fourth Legacy" (1999). E aqui vale destacar também o ingresso na banda do vocalista ROY KHAN (ex-Conception, maravilhosa banda do underground europeu), a partir do álbum "Siége Perilous" (1998).


A questão é que o som do Kamelot, NESSA ÉPOCA, embora já de uma qualidade evidente, era sim mais simples e direto, realmente remetendo muito ao melodic metal reinante na cena. Mas NÃO completamente, justiça seja feita! Afinal, e especialmente após a entrada de Khan, o som da banda ganhou algum refinamento e uma vontade já clara de realizar algo diferente, mais intenso e complexo do que vinha sendo feito até ali.





Aponto a grande "virada" da banda no disco "Karma", de 2001 - coincidindo, aliás, com a virada da década e do século. Ali o KAMELOT deu um importante passo enquanto grupo, com uma proposta claramente mais agressiva, no sentido de procurar características ainda mais próprias, de sofisticar ainda mais o seu som.


A cartada de mestre (até hoje, considero o melhor disco do Kamelot), viria com o épico (?) "Epica" (2003). Épico, aqui, em diversos sentidos, principalmente porque a banda trouxe elementos variados para sua composição, a tornando inclusive mais teatral, ganhando em interpretação - e nisso, a voz diferenciada de Khan foi fundamental. A estrutura das canções se tornava bastante única, fugindo de quaisquer lugares comuns do Heavy Metal, pois tinham que acompanhar um estilo novo, por eles criado.


O Kamelot foi na raiz do que havia de mais interessante e refinado no meio do Prog Metal, e sem dúvida bebeu muito na fonte de bandas como Queensrÿche e Savatage, que aliavam um Heavy vigoroso a um forte lado teatral e sofisticado - neste caso, inspirado na obra "Fausto", de Goethe.






Mas "Epica" não foi capítulo isolado na rica discografia da banda. Pelo contrário, o mais direto, mas ainda bastante progressivo, "The Black Halo" (2005) viria a consolidar a sonoridade personalíssima do grupo, atraindo cada vez mais fãs. Participações que foram de Shagrath (Dimmu Borgir) a Simone Simons (Epica, banda cujo nome foi inspirado JUSTAMENTE no disco anterior do Kamelot) abrilhantaram ainda mais aquele novo passo da banda.


Por fim, seguiriam-se o fortíssimo "Ghost Opera" (2007) e o sombrio "Poetry For The Poisoned" (2010) - este último muito fino, com destaque para linda participação de JON OLIVA (Savatage, Trans-Siberian Orchestra) em "The Zodiac".


A evolução e maturidade eram nítidos. Porém, foi com pesar que o clima sombrio e complexo do último disco exalou para os bastidores, resultando numa posterior saída de Roy Khan do grupo. Saída até hoje inexplicada: Khan passou tempos com problemas de saúde, relacionados a seus vocais... a banda convocou uma legião de vocalistas para excursionar... e ao final nunca ficou claro o quão amigável ou não foi o episódio.





Em 2012, foi anunciado Tommy Karevik (Seventh Wonder) para assumir oficialmente o posto deixado por Roy Khan. A escolha foi boa, foram buscar alguém com a versatilidade consciente de Khan, vez que outros nomes especulados como Edu Falaschi (ex-Angra, Almah) ou o bombástico Fabio Lione (Rhapsody, Vision Divine), poderiam alterar o estilo da banda.


Após a mudança, já lançaram um disco, o competente "Silverthorn" (2012). Eis que fazemos ao Kamelot aquele velho alerta que já fizemos a outros artistas por aqui: não cair em fórmulas!  "Silverthorn" segue a linha emocional dos trabalhos anteriores do Kamelot, mas tudo começa a soar parecido demais, e disso devem fugir o quanto antes...


Ainda assim, este blog coloca o KAMELOT, por tudo o que fez na década passada (sendo de suas principais bandas), entre as mais CRIATIVAS do Heavy Metal atual, torcendo sempre para que não decepcionem e tenham como norte o exímio trabalho que já apresentaram da obra-prima "Epica" em diante...



http://www.kamelot.com/

http://en.wikipedia.org/wiki/Kamelot




sábado, 6 de abril de 2013

ANDRE MATOS - parte II




continuação (ler parte I aqui)



Acredito que outra grande dúvida gerada a partir do fim do Angra era se aquele jeito único, cativante e criativo de se fazer Heavy Metal era devido a uma "mágica" atribuída àquela formação, àquelas mentes que juntas assim funcionavam... ou se, separados, poderiam impor a mesma diversidade e ousadia sonora em suas respectivas carreiras.



Abre-se aqui o parênteses para dizer que o ANGRA fracassou miseravelmente nesse quesito. Capitaneado por Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt (este remanesceu como "oásis criativo" da banda, a despeito da inegável qualidade técnica do primeiro), a nova formação com Edu Falaschi à frente teve o trunfo de manter o NOME (e isso pesa, inclusive em termos de sucesso). Além disso, no início de 2000 a onda do "metal melódico" ainda encantava boa parte do público, no que o grupo resolveu - equivocadamente, para nós - embarcar.


Logo, NÃO SE NEGA o sucesso da banda com sua segunda formação, apenas se diz que esta sem dúvida FRACASSOU no quesito CRIATIVIDADE.  O som foi empobrecido, o caminho era o de um clichê sem tamanho, feito para agradar ao jovem público metálico da época.  Os flertes com a música brasileira eram fracos, sem a mestria do passado.  O lado progressivo enveredou para um neoclássico forçado, típico da época e igual a milhares de outras bandas.  Afora a postura ARROGANTE dos integrantes, provocando os ex-companheiros, chegando a participar de 'mesa redonda' em revista para esculhambar o material alheio, etc.  Destaques mesmo foram RAROS - algumas boas canções de "Rebirth" (2001), uma linda participação de Milton Nascimento no pavoroso "Temple Of Shadows" (2004), e o competente e moderno "Aurora Consurgens" (2006), único disco que vale mais a pena ouvir.



A princípio, ANDRE MATOS manteve grande suspense sobre seu futuro com os demais egressos do Angra. No entanto, no ano de 2001 daria uma das maiores tacadas de sua carreira, que passou despercebido pelo grande público, numa daquelas injustiças que apenas mostram como os fãs são resistentes a novas sonoridades e grandes ideias. Falo do belíssimo disco auto-intitulado do projeto VIRGO, ao lado do produtor e companheiro Sascha Paeth.


Mais um grande acerto na carreira de Andre. Toda a delicadeza e sofisticação que já sabíamos ser típicas dele, agora se mostraram a serviço de um Hard Rock certeiro, que bebeu em ricas fontes que foram desde Beatles e Queen, passando pelo pop, soul, e até o gospel. Toda a diversificação sonora que sempre defendeu ali se encontravam em seu estado mais refinado e livre.





Faltava Andre mais uma vez colocar toda sua genialidade a serviço do Heavy Metal. E foi fazê-lo com o SHAMAN (nome de uma das melhores canções do antigo Angra), nova banda ao lado do baterista Ricardo Confessori, dos irmãos Luis e Hugo Mariutti, além do ótimo tecladista Fabio Ribeiro.


CRIATIVIDADE, finalmente, era a palavra de ordem por aqui. A história do grupo, no entanto, foi curta e dividida entre o marco musical chamado "RITUAL" (2002), de forte aura progressiva e indo beber nas fontes da world music (com especial apelo da música e tradição andinas), acompanhado de uma longa e vitoriosa turnê;  e "REASON" (2005), um disco mais direto, de aura sombria e dark, letras fortes e profundas, mas não menos progressivo, com as inovações trazidas para o nível da sutileza, das estruturas e arranjos pouco típicos das composições - uma marca de Andre! A turnê, no entanto, traria o FIM do Shaman (ou ShaAman, nome que passaram a utilizar neste segundo álbum).






Encerrando este capítulo, vale dizer que o Shaman seguiu ativo, anos depois. Ricardo Confessori conseguiu o direito de usar o nome, e convocou músicos da banda de hard rock Tempestt, além do excelente vocalista Thiago Bianchi (Karma, Firesign, Vox) para seguir com os trabalhos. Após um bom primeiro disco, "Immortal" (2007), fato é que o grupo não soube aproveitar todo o potencial de seus competentes integrantes. Thiago Bianchi, criativo e versátil, perdeu-se num Heavy comum, sem atrativos, e o líder Confessori passou a dividir atenções com o Angra, banda para a qual RETORNOU e cujo futuro é tão incerto quanto o do atual Shaman.



Andre, por sua vez, provara que a veia inovadora de se fazer música pesada (e música em geral) estava realmente com ele. Mas qual seria o novo projeto do maestro, vez que mais uma vez se via obrigado a deixar uma banda de sucesso... ?



to be continued (ler parte III)