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sexta-feira, 15 de setembro de 2023

PLAY: BCNR, John Zorn, Sightless Pit, Test, Yakuza, Yo La Tengo



2023 se aproxima do fim e as grandes obras do ano já se acumulam:



BLACK COUNTRY NEW ROAD


Exaltamos o primeiro disco do grupo por aqui, e a sensação continuou no segundo álbum, o elogiadíssimo "Ants From Up There", quase uma unanimidade no topo de listas do ano de 2022.


Após o baque de uma precoce mudança de formação, com a saída do vocalista Isaac Wood ainda em 2022, o grupo foi ousado e ambicioso em simplesmente aproveitar e lançar em 2023 um disco que, embora gravado ao vivo, é totalmente constituído de canções inéditas.


Vale a experiência de assistir a banda no palco, que revesa agora os vocais entre Tyler Hyde, Lewis Evans e May Kershaw de maneira muito dinâmica, cativando tanto quanto em estúdio. Isso explica como as canções, mesmo inéditas, funcionam tão bem. Um dos grandes nomes do rock moderno, já podemos dizer que totalmente consolidados:

 

Black Country, New Road - "Live At Bush Hall" (2023)





JOHN ZORN


Uma das maiores referências do blog, acaba de completar 70 anos e segue ativo, ultraprodutivo, com a habitual alta quantidade de discos e projetos lançados anualmente. O destaque vai, desta feita, para o vitorioso quarteto que já se apresentava ao vivo antes da pandemia, contituindo a New Masada, e que já havia lançado o disco de estreia em 2021. Em 2023, temos o segundo volume desta obra obrigatória, com Julian Lage (guitarra), Jorge Roeder (baixo) e Kenny Wollesen (bateria):


John Zorn - "New Masada Quartet Vol. 2" (2023)





SIGHTLESS PIT


O projeto de Lee Buford (The Body) e Dylan Walker (Full Of Hell) havia debutado em 2020 com grande disco, contando com toda a aura experimental de Kristin Hayter como então real membro do grupo.


Kristin (que já citamos este ano por aqui), porém, saiu do grupo e encerrou seu próprio projeto principal, o Lingua Ignota, sendo que passará a atender por Reverend Kristin Michael Hayter, com disco prometido ainda para este ano de 2023.


Nisso, restou à dupla substituir uma figura tão única com uma reunião bombática de convidados, do porte de Claire Rousay, Yokota Yoshimi (Boredoms, OOIOO), Midwife (Madeline Johnston), Lane Shi Otayonii (Otay:Onii, Elizabeth Colour Wheel), Frukwan (Stetsasonic, Gravediggaz), Iphigenia Douleur (Foie Gras), além do parceiro de Full Of Hell, Spencer Hazard (que atende por Industrial Hazard, também do Eye Flys e Sore Dream).


O disco pode surpreender os fãs do primeiro capítulo, já que agora mais pesado e investindo num dub frenético, transgressor, e aproveitando bem a diversidade de participações. Fator triste e inusitado, porém, é que o disco conta também com a rapper Gangsta Boo, do clássico Three 6 Mafia, que faleceu precocemente neste ano, pouco antes do lançamento do álbum:


Sightless Pit - "Lockstep Bloodwar" (2023)





TEST


Aqui uma honrosa menção ao duo brasileiro Test, formado por João Kombi (ex-Are You God?) e o exímio baterista Thiago Barata (D.E.R., ex-Sick Terror, Barriga De Verme). A dica já havia sido dada no excelente e pouco falado disco anterior, "O Jogo Humano" (2019), mas agora podemos dizer que de vez adentraram seu então death/grindcore num som insano, tipicamente experimental, de um álbum soberbo - levando o sugestivo nome de "normal", remetendo aos próprios lugares "normais" em que o disco foi gravado, o que resultou inclusive num documentário.


João e Barata são conhecidos da cena, não apenas pelos grupos que passaram, mas pela história incansável do próprio Test, uma verdadeira "marca" independente e sinônima de garra. Um grupo que se apresenta de diversas formas, em qualquer estado ou país, em qualquer local (literalmente, em qualquer local!), sozinhos, em aberturas ou colaborações diversas, a qualquer momento, improvisando e fritando sempre de maneira alucinante.


Com produção de James Plotkin e participação de nomes como Igor Cavalera, Jonnata Doll, Mariano Sarine (Deaf Kids) e Dylan Walker (citado logo acima, Full Of Hell, Sightless Pit):


TEST - "Disco Normal" (2023)





YAKUZA


O grupo do genial Bruce Lamont não está na linha de frente do heavy metal mundial, mas é de seus nomes mais instigantes e inovadores. Além disso, a tríade que foi de "Way Of The Dead" (disco incrível de 2002, contando até mesmo com Ken Vandermark) até "Transmutations" (2007), passando pelo nosso favorito da casa "Samsara" (2006), ficou há muito para trás... sendo que a banda esteve sem lançar um disco completo desde "Beyul" em 2012.


A espera, porém, se encerra em grande estilo:


Yakuza - "Sutra" (2023)





YO LA TENGO


Talvez a dica mais surpreendente desta leva, pois apesar do carinho pelo grupo noventista de Ira Kaplan e Georgia Hubley, não se esperava a esta altura o destaque para o grupo.


Vale ainda dizer que o EP "We Have Amnesia Sometimes" (2020), assim como a parceria com o também instigante Bardo Pond em "Parallelogram" (2015), já mostravam, mesmo hoje, um grupo pouco propenso a se acomodar.


Mas neste full length, voltamos a dar de cara com a essência clássica da banda, mas também com o lado experimental e visceral equilibrando muito bem, no que já podemos apontar como uma das grandes obras do ano.


E com uma faixa-título primorosa, além do título em si, necessário para nossos tempos:


Yo La Tengo - "This Stupid World" (2023)




quarta-feira, 21 de novembro de 2018

PLAY: Ambrose Akinmusire, Idris Ackamoor, Julian Lage, Laurie Anderson, Nicole Mitchell





2018 em beleza e sutileza:



AMBROSE AKINMUSIRE


"Acclaimed trumpeter Ambrose Akinmusire breaks new ground with his 4th Blue Note album "Origami Harvest", a surprisingly fluid study in contrasts that pits contemporary classical wilding against deconstructed Hip Hop, with bursts of left-field jazz, funk, spoken word and soul, with help from the Mivos Quartet and art-rap expatriate Koll AD (Das Racist), along with pianist Sam Harris, drummer Marcus Gilmore and saxophonist Walter Smith III"

Ambrose Akinmusire
Walter Smith III (sax)
Sam Harris (piano)
Marcus Gilmore (bateria)


Ambrose Akinmusire - "Origami Harvest" (2018)








IDRIS ACKAMOOR


“I wanted to use folklore, fantasy and drama as a warning bell. The songs explore global themes that are important to me and to us all: the rise of catastrophic climate change and our lack of concern for our planet, loss of innocence and separation... but positive themes too, the healing power of music, collective action and the simple beauty of nature.”

Idris Ackamoor (vocal, sax)
Sandra Poindexter (vocal, violino)
David Molina (vocal, guitarra)
Skyler Stover (vocal, baixo)
Bradie Speller (vocal, congas)
Johann Polzer (bateria)


Idris Ackamoor And The Pyramids - "An Angel Fell" (2018)








JULIAN LAGE


"Modern Lore" finds Lage playfully flipping the script he followed on his acclaimed 2016 Mack Avenue debut, Arclight. That album - produced, like "Modern Lore", by Lage’s friend and collaborator, the singer-songwriter Jesse Harris - was his first trio set on electric guitar and found Lage inspired by the sounds and the attitude of the freewheeling, pre-bebop jazz era, when, as he puts it, "country music and jazz and swing were in this weird wild-west period." This time he incorporates the sensibility, if not the outright sound, of early rock and roll, a similarly hybrid form driven by rhythm, personality and a passion for the electric guitar"

Julian Lage (guitarra)
Scott Colley (baixo)
Kenny Wollesen (bateria)


Julian Lage - "Modern Lore" (2018)








LAURIE ANDERSON


"I’ve always been fascinated by the complex relationship of words and music whether in song lyrics, supertitles or voice over. In Landfall, instruments initiate language through our new text software, erst. The blend of electronic and acoustic strings is the dominant sound of Landfall. Much of the music in this work is generated from the harmonies and delays of unique software designed for the solo viola and reinterpreted for the quartet. In addition, there were elements of the optigan, a keyboard that uses information stored on optical discs."

Laurie Anderson
David Harrington (violino)
John Sherba (violino)
Hank Dutt (viola)
Sunny Yang (cello)


Laurie Anderson & Kronos Quartet - "Landfall" (2018)








NICOLE MITCHELL


“Imagination, especially black imagination, is a really vital and undervalued resource. It’s very clear that we can’t continue in the same direction that we’ve gone, but we need to return to the source of where imagination and creativity come from, because if we don’t have another vision then we can’t implement it, and we can’t make a different future. What makes us special as human beings is our ability to imagine things that don’t even exist yet.”

Nicole Mitchell (flauta)
Fay Victor (vocal)
Aruan Ortiz (piano)
Tomeka Reid (cello)


Nicole Mitchell - "Maroon Cloud" (2018)