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segunda-feira, 12 de março de 2018

SPECIAL: mortes na década (2)






(confira a primeira parte AQUI)



Mais alguns talentos pouco reconhecidos que nos deixaram recentemente:



DAMINHÃO EXPERIENÇA (1935-2016)


O excêntrico e misterioso músico brasileiro Damião Ferreira da Cruz, muitas vezes comparado ao também vanguardista Moondog, teve uma carreira obscura no experimentalismo. Morreu no Rio de Janeiro, sem grande alarde, já com mais de 80 anos. "Planeta Lamma", de 1974, com certeza está entre os importantes lançamentos brasileiros de todos os tempos:








LEON RUSSELL (1942 - 2016)


Um dos maiores pianistas do rock, tocou ao lado de gigantes do estilo, mas se destacou em especial por sólida e belíssima carreira solo:








NIK GREEN (1954-2016)


Tecladista menos conhecido, teve destaque no grupo Blue Murder, do guitarrista John Sykes. Ao lado de Tony Franklin, ainda juntou forças com Roy Harper e ninguém menos que Jimmy Page na trilha "Whatever Hapenned To Jugula?" (1985):








TRENT GARDNER (1961-2016)


Chocante morte do líder do grupo prog Magellan, em especial se pensarmos que seu irmão e companheiro de banda, Wayne Gardner, se suicidara poucos anos antes. Além do bem conceituado grupo americano, Trent liderou o projeto de gigantes do prog metal Explorer's Club, além da rock opera "Leonardo, The Absolute Man" (2001), que trazia James LaBrie no papel de Leonardo Da Vinci. Participou ainda do excelente álbum solo de Steve Walsh (Kansas), "Glossolalia" (2000). Enorme perda:








ALLAN HOLDSWORTH (1946-2017)


Seminal guitarrista, dos mestres do jazz/fusion. Com seu SynthAxe, espécie de guitarra com sintetizador, também criou uma sonoridade original e única para sua época. De enorme influência no âmbito do rock alternativo, no hard/heavy e no progressivo. Único:








CHARLES BRADLEY (1948-2017)


Destaque da Daptone Records, teve carreira curta e recente, que se iniciou após os 50 anos de idade. "Victim Of Love" (2013) foi muito aclamado pela crítica. No fim de 2017, outro grande golpe, a morte de outro destaque do selo, Sharon Jones...








HOLGER CZUKAY (1938-2017)


Conhecido como um dos líderes fundadores do Can e inserido na profícua cena do krautrock alemão. Gravou ainda com nomes como Jah Wobble, Brian Eno e David Sylvian, além de uma esquecida carreira solo, com destaque para "On The Way To The Peak Of Normal" (1981):








JOHNNY HALLYDAY (1943-2017)


Um dos maiores nomes da música francesa, a quem este blog foi dar atenção após a notícia de seu falecimento:








TOMMY KEENE (1958-2017)


Com uma discografia irrepreensível, incrível compositor americano que morreu praticamente desconhecido:








WALTER BECKER (1950-2017)


O grande companheiro de Donald Fagen à frente do Steely Dan, também possui curta e esquecida carreira solo:








Z'EV (1951-2017)


Outra morte chocante, a que nos referimos aqui. Um artista na essência da palavra, um entusiasta do som. Excêntrico percussionista, esteve envolvido com Glenn Branca, Genesis P-Orridge e Elliott Sharp e pode ser encaixado na no wave americana, como na cena industrial e experimental. Ícone:






R.I.P. †



segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

SPECIAL: a morte em forma de arte





O ano de 2016 não foi um ano inédito em levar grandes artistas, ou mesmo ídolos da música, o campo da arte que mais ocupa este blog.


Nisso, foram-se Bernie Worrell, James Woolley (NIN), Keith Emerson (ELP), Greg Lake (ELP, King Crimson), Naná Vasconcelos, Glenn Frey (Eagles), Leon Russell, Maurice White (Earth, Wind & Fire), Prince, dentre tantos.



Mas talvez tenha sido inédito nessa junção tão forte entre morte e arte.



DAVID BOWIE, falecido em janeiro, parece ter inaugurado o ano com o conceito visionário de "Blackstar".


Narrou em música, letras e até em clipe a morte vindoura e que pegou todos de surpresa.



Cerca de um ano após o falecimento de seu filho, NICK CAVE encontra na arte, compondo canções intensas e até mesmo um filme, as forças que não imaginamos que um pai pode voltar a ter após tamanha dor.


O aclamado "Skeleton Tree" mais uma vez canaliza algo talvez até maior que a morte, que é a imensurável noção da perda de um filho.



O fim de 2016 ainda foi duro ao levar LEONARD COHEN, este já notadamente no fim de sua vida, e que sempre flertou com a morte em suas canções.


Em "You Want It Darker", encarou o tema como nunca, prenunciando seu próprio desfecho, fazendo uma transição tranquila e quase que premeditada, como a de Bowie.



Nos acréscimos do ano, impossível não falar do acidente com o avião que levou, sim, artistas!


O time da CHAPECOENSE, um clube praticamente inteiro de futebol, ao lado de jornalistas e tripulantes, nos foi tirado. O tipo tão único de tragédia, aliado a um contexto também bastante único, levou a tirar o melhor das pessoas naquele momento, nos países atingidos (Brasil e Colômbia, onde se deu o acidente) e no mundo todo.


Eis que a sucessão de homenagens também foram uma verdadeira forma de arte - aliada à arte do próprio futebol que praticavam, e chegavam a uma final! - a canalizar a dor e comoção dos familiares, dos amigos, dos torcedores e de nações como um todo.



2016 foi assim...


... a morte como arte!